sexta-feira, 4 de maio de 2012
segunda-feira, 30 de abril de 2012
De Gramática e de Linguagem
"E havia uma gramática que dizia assim:
"Substantivo (concreto) é tudo quanto indica
Pessoa, animal ou cousa: João, sabiá, caneta".
Eu gosto das cousas. As cousas sim !...
As pessoas atrapalham. Estão em toda parte. Multiplicam-se em excesso.
As cousas são quietas. Bastam-se. Não se metem com ninguém.
Uma pedra. Um armário. Um ovo, nem sempre,
Ovo pode estar choco: é inquietante...)
As cousas vivem metidas com as suas cousas.
E não exigem nada.
Apenas que não as tirem do lugar onde estão.
E João pode neste mesmo instante vir bater à nossa porta.
Para quê? Não importa: João vem!
E há de estar triste ou alegre, reticente ou falastrão,
Amigo ou adverso...João só será definitivo
Quando esticar a canela. Morre, João...
Mas o bom mesmo, são os adjetivos,
Os puros adjetivos isentos de qualquer objeto.
Verde. Macio. Áspero. Rente. Escuro. luminoso.
Sonoro. Lento. Eu sonho
Com uma linguagem composta unicamente de adjetivos
Como decerto é a linguagem das plantas e dos animais.
Ainda mais:
Eu sonho com um poema
Cujas palavras sumarentas escorram
Como a polpa de um fruto maduro em tua boca,
Um poema que te mate de amor
Antes mesmo que tu saibas o misterioso sentido:
Basta provares o seu gosto..."
Mário Quintana
sábado, 21 de abril de 2012
Vai encarar?
Sabe-se lá,
quantas façanhas,
a vida ainda há de aprontar!
Eu permaneço aqui.
quantas façanhas,
a vida ainda há de aprontar!
Eu permaneço aqui.
PRONTA
Munida de escudo e coragem;
preparada para qualquer
AFRONTA.
Por Ana Sousa
sexta-feira, 16 de março de 2012
terça-feira, 13 de março de 2012
Citando
Eu só escrevo sobre coisas que me aconteceram....coisas que não consigo ultrapassar.
Felizmente,
sou bem autodestrutiva!
Por:
Amy Jade Winehouse.
Felizmente,
sou bem autodestrutiva!
Por:
Amy Jade Winehouse.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Intensamente
Eu nunca sonhei alto demais;
apenas, tratei de ser capaz
DE
corresponder às minhas ilusões...
O destino, agente é quem faz;
basta, não olhar para trás
E
viver todas as emoções!
Quem vive INTENSAMENTE,
Não deixa nada pendente.
Por: Ana Sousa
Uma ótima semana para todos!
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Cecília Meireles
Seu pai morreu 3 meses antes do seu nascimento e sua mãe antes mesmo que completasse 3 anos.
"Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno".
(...) Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."
Cecília publica seu primeiro livro de poesias"Espectro" em 1919 e, em 1923 lança "Pema dos Poemas" e "Nunca Mais". Dois anos depois publica a obra "Baladas para El-Rei".
Em 1922 Cecília se casa com o pintor português Fernando Correia Dias, com quem tem três filhas e cinco netos. O marido suicida-se em 1935 e Cecília casa-se, novamente, em 1940, com o professor engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.
A escritora também teve grande influência no educação do país ao participar ativamente durante um ano do Diário de Notícias, uma página diária sobres problemas na educação.Viajou por vários países em conferências sobre Literatura, Educação e Folclore, no qual ela se especializou.
Enfim, Cecília teve uma vida sofrida porém, grandemente produtiva, no que concerne ás produções textuais.
Faleceu em 1964, sendo-lhe prestadas, grandes homenagens públicas.
Cecília ganhou o prêmio Machado de Assis dado pela Academia Brasileira de Letras um ano depois de sua morte.
Nada melhor do que encerrar este post com uma das belíssimas poesia de Cecília Meireles.
Uma ótima Sexta-feira a todos!
Pus-me a cantar minha pena com uma palavra tão doce, de maneira tão serena, que até Deus pensou que fosse felicidade - e não pena.
Anjos de lira dourada debruçaram-se da altura.
Não houve, no chão, criatura de que eu não fosse invejada, pela minha voz tão pura.
Acordei a quem dormia, fiz suspirarem defuntos.
Um arco-íris de alegria da minha boca se ergue apondo o sonho e a vida juntos.
O mistério do meu canto, Deus não soube, tu não viste.
Prodígio imenso do pranto: - todos perdidos de encanto, só eu morrendo de triste!
Por assim tão docemente meu mal transformar em verso, oxalá Deus não o ausente, para trazer o Universo de pólo a pólo contente!
Anjos de lira dourada debruçaram-se da altura.
Não houve, no chão, criatura de que eu não fosse invejada, pela minha voz tão pura.
Acordei a quem dormia, fiz suspirarem defuntos.
Um arco-íris de alegria da minha boca se ergue apondo o sonho e a vida juntos.
O mistério do meu canto, Deus não soube, tu não viste.
Prodígio imenso do pranto: - todos perdidos de encanto, só eu morrendo de triste!
Por assim tão docemente meu mal transformar em verso, oxalá Deus não o ausente, para trazer o Universo de pólo a pólo contente!
Por Ana Sousa
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