quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Clarice Lispector


      
   Ao mesmo tempo que ousava desvelar as profundezas de sua alma em seus escritos, Clarice Lispector costumava evitar declarações excessivamente íntimas nas entrevistas que concedia, tendo afirmado mais de uma vez que jamais escreveria uma autobiografia. Contudo, nas crônicas que publicou no Jornal do Brasil entre 1967 e 1973, deixou escapar de tempos em tempos confissões que, devidamente pinçadas, permitem compor um auto-retrato bastante acurado, ainda que parcial. Isto porque Clarice por inteiro só os verdadeiramente íntimos conheceram e, ainda assim, com detalhes ciosamente protegidos por zonas de sombra. A verdade é que a escritora, que reconhecia com espanto ser um mistério para si mesma, continuará sendo um mistério para seus admiradores.


Abaixo, um  dos textos  confessionais de Clarisse que,  possibilita  revelações vislumbres de sua densa personalidade.






A descoberta do amor
       “[...] Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em apreender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo, aliás, atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais.
Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. [...] Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
       Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor. [...] Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continuou intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota uma flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é por pudor apenas feminino.
Pois juro que a vida é bonita.”




Ana Paula




quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A poesia de hoje







Todos os dilemas, ou os vícios e virtudes da poesia moderna e contemporânea, poderiam ser resumidos ou ter sua origem num ponto apenas, que é o que concerne ao verso livre. Embora seja um exagero insistir em dizer que o “ciclo histórico do verso está encerrado”, parece ficar cada vez mais claro que o verso livre modernista — que, diga-se de passagem, a maioria pratica ainda imperitamente, sem fazer vacilar suas contradições e possibilidades constitutivas — experimenta um momento de estagnação. Em artigo publicado recentemente, Paulo Franchetti estuda na versificação contemporânea a “crise de verso” ou “crise do verso” na linguagem de alguns poetas. De acordo com o crítico, tornou-se já prática consagrada a “quebra arbitrária da frase, sem que se perceba na quebra mais do que o desígnio de quebrar”. Há algum tempo, num artigo publicado emSibila, onde avaliava a cena das revistas literárias, me referi a esses poetas que operam sobre o verso a partir tão-só do corte como “convencionais versemakers da fratura, da fragmentação”. Para Franchetti, uma parcela da poesia de hoje representa um “atestado de recusa do verso livre, ou de desconfiança nele como eficácia poética”. Enquanto isso, irmandades de poetas apuram suas ferramentas no aproveitamento acrítico desse verso fake resolvido na estabilidade de uma sempre e afetada elipse sintática.


Ana Sousa


Fonte: Poesia de Hoje





sábado, 7 de janeiro de 2012



Sábado lindo, ensolarado, brilhante!!!
Que assim continue..
Chega de chuva e desastres.

Um maravilhoso fim de semana para todos!!!


Ana Sousa


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A menina que vivia poesia


Era uma vez uma menina que só queria saber de poesia.
Na aula ela ficava tentando construir rimas com as frases ditas pela professora.
Na rua, ia lendo todas as placas e cartazes pelo caminho e tentando construir rimas.
Em casa, ela já não mais interpretava o que a mãe dizia, mas fazia poesia.
Seus amigos se afastaram pois não mais podiam tolerar aquele mundo unicamente poético no qual a menina vivia.

Um dia, sentada sozinha em um banco da praça, apenas ela e sua poesia, sentou-se ao seu lado um velho muito sábio que com a boca estremecida e cansada lhe contou sobre suas experiências de vida.
A menina ficou feliz.
Alguém conversara com ela novamente!
Alguém lhe dera atenção!

A cada experiência contada, espanto, risos, lágrimas tudo se misturou.


Daquele dia em diante a menina percebeu que, na verdade a poesia estava mesmo era nas coisas maravilhosas da vida e que as rimas mais ricas são as que com elas se sorri, se espanta, se chora.

A menina continuou a fazer poesia, mas agora, com a alma!




Ana Sousa.

Tenham um bom dia!